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Relações de família na obra de Machado de Assis
Lúcia Miguel Pereira, a crítica machadiana homenageada nesta edição, é autora de dois dos estudos mais importantes e influentes sobre Machado de Assis e sua obra: Machado de Assis - Estudo crítico e biográfico,
publicado pela primeira vez em 1936 e hoje com dezenas de reedições; e também de um capítulo decisivo sobre Machado, incluído no volume Prosa de ficção, de 1950. No Estudo crítico e biográfico, Lúcia Miguel Pereira
propunha que os romances, em seu conjunto, acompanhavam a ascensão social do homem Joaquim Maria Machado de Assis. Foi ela a primeira a identificar e expor com clareza a ambição como traço comum às heroínas dos quatro primeiros romances,
nas quais o escritor teria disfarçado questões e dilemas vividos por ele em sua trajetória social. Ao completar a ascensão burguesa, mediante emprego público e casamento, o escritor estaria à vontade para criticar a vida política e social
das classes dominantes, o que de fato fez a partir dos 40 anos e da publicação de Memórias póstumas de Brás Cubas. Anos mais tarde, em Prosa de ficção, Lucia Miguel Pereira retornava a Machado num capítulo já bastante depurado
das explicações biográficas do livro anterior. Partindo da afirmação "Tem-se acusado Machado de Assis de ser pouco brasileiro", registrava a oscilação constante da crítica em relação a Machado de Assis - ora visto como representante máximo
da literatura nacional, ora apresentado como acidente dentro do panorama dessa mesma literatura. Nesse capítulo, Lúcia Miguel Pereira tratou também de engastá-lo na tradição literária brasileira, propondo uma compreensão dialética entre o
local e o universal na obra machadiana. Esses estudos de Lúcia Miguel Pereira modificaram para sempre a maneira de ler a obra e de entender a figura do escritor e serviram de ponto de partida e referência para todas as grandes interpretações
realizadas ao longo do século 20. Pode-se dizer que ela é fonte e inspiração comum para vários críticos das gerações posteriores, entre eles Antonio Candido, Roberto Schwarz e Alfredo Bosi. Além desses dois estudos mais alentados e de amplo
alcance, Lúcia Miguel Pereira escreveu vários artigos e ensaios sobre aspectos da obra machadiana, vários deles reunidos em A leitora e seus personagens e Escritos da maturidade, publicados pela editora Graphia. O ensaio de Lúcia Miguel Pereira
incluído nesta edição foi publicado pela primeira vez na Revista do Livro, em setembro de 1958, no contexto das homenagens ao cinqüentenário de morte de Machado de Assis. Você também pode baixar este artigo para o seu computador no formato PDF (Adobe Acrobat ©): Para ter acesso aos artigos baixados neste site você precisa ter o Adobe Acrobat Reader © instalado em seu computador. Caso você não tenha este programa, clique no ícone acima para baixar e instalar (programa de distribuição gratuita). |
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