Coletânea

Contos Fluminenses

1869

NOTA DESTA EDIÇÃO ELETRÔNICA

Contos fluminenses é a primeira coletânea de histórias avulsas publicada por Machado de Assis. É, na verdade, a sua estreia em livro na narrativa de ficção. O livro, que, segundo J. Galante de Sousa, apareceu em fevereiro de 1870, reúne sete contos, dos quais seis saíram antes no Jornal das Famílias entre junho de 1864 e janeiro de 1869, assinados alguns por Machado de Assis mesmo, outros por pseudônimos como J. J., J ou Job. Do conto de abertura, "Miss Dollar", não se encontrou até hoje impressão anterior. Ainda em vida do autor, saíram mais duas edições da obra, ambas em 1899, uma em março, a outra em outubro.

Em 1870, o autor era já um escritor consagrado, tendo publicado crítica teatral (em O Espelho) e artigos diversos e poesia na Marmota Fluminense, na Semana Ilustrada, no Diário do Rio de Janeiro e no Correio Mercantil. Já tinha também dado ao público o seu primeiro livro de poemas, Crisálidas (1864).

Os leitores acostumados à sofisticação de narrativas como "O alienista" ou Dom Casmurro poderão estranhar certa ingenuidade nos contos reunidos neste volume por Machado de Assis. Mas, como assinala Adriano da Gama Kury na nota introdutória à edição de Contos fluminenses que organizou (Garnier / Fundação Casa de Rui Barbosa, 1989), é possível "reconhecer-lhe as 'impressões digitais', na linguagem e no próprio estilo".

Para estabelecer o texto da presente edição eletrônica, utilizaram-se como fonte edições disponíveis na internet, bem como a publicada pela editora Martins Fontes em 2006, preparada por Marta de Senna, as quais foram cotejadas com a primeira edição e ainda, em caso de discrepância, com as edições de 1899, existentes na biblioteca da Fundação Casa de Rui Barbosa.

Foi feita uma atualização ortográfica em consonância com o Acordo Ortográfico em vigor no Brasil desde 2009, mas mantiveram-se formas que, embora em desuso atualmente, ainda são consignadas pelos principais dicionários de língua portuguesa ("cousa", "dous").

Usaram-se travessões para indicar diálogos. O que é expressão de um pensamento da personagem, algo que ela diz a si mesma, foi posto entre aspas. Quanto aos numerais, foram grafados por extenso, o que é o uso predominante na prosa do autor. Adotou-se esse procedimento pelo mesmo motivo pelo qual se mantiveram em língua estrangeira os vocábulos assim escritos na primeira edição ("lunch", "coupé,") por acreditar-se que tudo isso contribui para aquilo que se poderia chamar de "atmosfera textual" machadiana.

Talvez o maior problema no estabelecimento de textos escritos no século XIX seja o da pontuação. Ao preparar-se esta edição, optou-se por uma política a meio caminho entre uma atualização radical, de acordo com as normas presentemente vigentes, e o respeito à pontuação de Machado de Assis. Para citar dois exemplos: mantiveram-se todas as vírgulas antes da aditiva "e" precedendo verbos cujo sujeito era precisamente o mesmo da oração anterior ("Tinham posto a mira em uma herdeira rica, e dispunham de si para si que o rapaz se casaria com ela."). Assim se deliberou por identificar no procedimento um traço estilístico relevante no conjunto. Por outro lado, nos casos em que se considerou que a vírgula (ou a ausência dela) comprometia o melhor entendimento do texto, não houve hesitação em intervir, como ocorreu no caso de vírgulas precedendo orações adjetivas restritivas (suprimidas) e de falta de vírgulas precedendo orações adjetivas explicativas (inseridas).

Esta não pretende ser uma edição crítica. O objetivo foi produzir uma edição fidedigna do texto machadiano, que, através dos hiperlinks, oferece ao leitor do século XXI uma ferramenta de fácil utilização e encurta a distância entre ele, leitor, e o enorme universo de referências de Machado de Assis.

Registre-se aqui a colaboração, na pesquisa dos hiperlinks, de Alice Ewbank e Camila Abreu, ex-bolsistas de Iniciação Científica na Fundação Casa de Rui Barbosa; na revisão, a de Karen Nascimento de Souza e Mariana Viana Barros, atuais bolsistas de Iniciação Científica; e, na construção do texto digital e do software que possibilita a visualização dos links, a de Eduardo Pinheiro da Costa, técnico em informática da Fundação Casa de Rui Barbosa.

Marta de Senna, pesquisadora
Ana Maria Vasconcelos Martins Castro, bolsista de Iniciação Científica
Fundação Casa de Rui Barbosa/CNPq

outubro de 2011

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