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número 14 • dezembro de 2014

HOMONÍMIA E IRONIA DO NOME EM RESSURREIÇÃO

Raquel Campos

Resumo: No século XIX, o nome próprio tornou-se uma "questão capital" para os romancistas. Machado de Assis não deixou de subscrever a esse lugar-comum de sua época; não obstante, desde seu primeiro romance, Ressurreição (1872), ele procurou singularizar sua poética da nomeação, assentando-a em preceitos distintos daqueles em voga no Romantismo. Além de ter criado um narrador que não se pronuncia sobre os antropônimos das personagens, Machado de Assis lançou mão da homonímia e da nomeação irônica. Trata-se aqui de analisar o funcionamento desses dois dispositivos de nomeação em Ressurreição, destacando-se ainda o fato paradoxal de que, a exemplo dos românticos, o escritor fez do problema do amor e do casamento o lugar de regulação do nome próprio dos protagonistas.

Palavras-chave: Machado de Assis; Nome próprio; Romantismo.

HOMONYMY AND IRONIC NAMES IN RESSURREIÇÃO

Abstract: In the nineteenth century, the proper name had become – in the words of Gustave Flaubert – "a key issue" for novelists. Machado de Assis also subscribed to this commonplace of his time; nevertheless, ever since his first novel, Ressurreição (1872), he sought to single out his poetics of nomination, relying on precepts distinct from those in vogue in Romanticism. Instead of abundant remarks on the names and the harmony between name and character, Machado de Assis created a narrator who does not comment on the characters’ anthroponyms, but rather, resorts to homonymy and ironic naming. The objective of this text is to analyze how these two devices of nomination function in Ressurreição, highlighting the paradoxical fact that, like the Romantic writers, the author turned the issue of love and marriage into the regulation of his protagonists’ proper names.

Keywords: Machado de Assis; proper name; Romanticism.

Artigo recebido em 15/08/2014 e aceito para publicação em 19/11/2014.

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