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número 5 • junho de 2010

Editorial

Sai "em linha" o quinto número desta revista eletrônica especializada nos estudos machadianos, em cuja elaboração trabalham todos os membros do Grupo de Pesquisa/CNPq "Relações intertextuais na obra de Machado de Assis" e mais os colaboradores externos, a quem agradecemos.

Este quinto número de Machado de Assis em linha: revista eletrônica de estudos machadianos caracteriza-se pela contribuição varia de estudiosos da obra de Machado de Assis. No entanto, o resultado final apresenta ao público artigos que se distribuem em temas e centros de interesse que se comunicam, como se tivesse sido concebido um "número fechado" da revista, com chamada de trabalhos de temática especificada.

Pensando que os interesses de pesquisa dos membros do corpo editorial, pareceristas externos e autores que submeteram artigos para análise pertencem aos mais variados universos críticos e teóricos da pesquisa em Literatura, a convergência dos artigos deve significar que o movimento inconsciente da circulação das ideias faz com que os vários articulistas tenham: preocupações especiais relacionadas com a valorização ou expansão da discussão dos romances e contos anteriores à "maturidade" machadiana; curiosidade crítica em relação ao "leitor" em geral e à presença dos leitores nos textos machadianos, de diversas maneiras; uma ideia precisa de que os textos de ficção que Machado de Assis publicou antes nos periódicos, e depois em livro, devem ser pensados em seu suporte de origem ou, ao menos, ter sempre como pressuposto de leitura a consideração do suporte.

Os dez artigos aqui reunidos seguem o projeto editorial da revista: nove artigos originais, mais um texto da seção "Da tradição crítica", em que Astrojildo Pereira representa desta vez a fortuna dos estudos machadianos. Dele trazemos "Machado de Assis na crítica", publicado no suplemento literário do Diário de Notícias , em junho de 1939, por ocasião das comemorações do centenário do nascimento do escritor.

A distribuição temática dos artigos nos dá: Astrojildo Pereira que apresenta um levantamento crítico dos estudos machadianos mais importantes produzidos até 1939. A partir daí, fazem parte da preocupação com o leitor: o texto de Ruth Silviano Brandão e José Marcos Oliveira, em que o escritor é o leitor; e o de Paulo César Oliveira, no qual se fazem análise e comparação cerradas dos procedimentos sternianos em relação ao leitor de A sentimental journey e aqueles de Memórias póstumas de Brás Cubas. Estão no caso da valorização da obra machadiana anterior à "virada" os artigos de José Luis Jobim, que nos apresenta uma análise de Machado de Assis como um crítico literário que se teria pronunciado, anteriormente aos seus romances, no espaço da crítica justamente, sobre a criação literária; Claudio Duarte, que nos aparece com uma discussão originalíssima a respeito do que nomeia "geografia territorial" em Iaiá Garcia; Antonio Dimas, que desmonta com delicadeza e argúcia a construção das cenas do não muito estudado romance A mão e a luva, principalmente centrando-se na análise do gesto e do olhar; Carlos Minchillo, que toma um conto relativamente menos citado e estudado no conjunto dos contos machadianos, "Aurora sem dia", e, seguindo o processo de reescrita desse conto, entre outros assuntos, faz-nos enxergar de outra maneira os procedimentos da escrita literária e o processo de reescrita constante que Machado de Assis empreendeu em sua obra ficcional; Cilene Rohr, por fim, que continua a discussão da experimentação machadiana dos gêneros no "gênero" conto. Fazendo uma ligação entre a obra machadiana anterior ao momento do "salto" e a valorização do suporte em que Machado de Assis publicou primeiramente seus textos, estão as idéias que Jaison Crestani nos apresenta sobre Histórias sem data; e, por fim, Geruza Almeida que, em seu texto, elege o suporte "papel" como caminho interpretativo para Memorial de Aires.

Machado de Assis em linha comemora a qualidade do debate a respeito da obra de Machado de Assis e convida todos os interessados a participarem dele em seu sexto número. Em www.machadodeassis.net encontram-se a nova chamada de trabalhos, bem como as normas editoriais (aba CONTATO).

Esse site oferece também um banco de dados, com ferramenta de busca, das citações e alusões identificadas na ficção de Machado de Assis, além da edição, em hipertexto, dos quatro primeiros romances, Ressurreição, A mão e a luva, Helena e Iaiá Garcia.

Hélio de Seixas Guimarães e Lúcia Granja.
São José do Rio Preto/ Lisboa, junho de 2010.

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